“descubierto, pues, claramente que nuestro poeta va imitando a dante…”. Faria e Sousa interpretou Os Lusíadas de Camões sob o prisma alegórico da Commedia de Dante. Artigo explora o paradigma teológico e a leitura comparada.
Este artigo analisa o papel da Commedia de Dante na leitura alegórica de Os Lusíadas proposta por Manuel de Faria e Sousa no seu extenso comentário (Madrid, 1639). Através de uma série de remissões explícitas à obra dantesca, Faria e Sousa constrói um modelo de leitura que não apenas identifica fontes pontuais ou estilísticas, mas estabelece Dante como paradigma estrutural e teológico para a epopeia camoniana. A Commedia fornece-lhe um quadro hermenêutico para interpretar os episódios mais controversos de Os Lusíadas — sobretudo a Ilha dos Amores e a visão da máquina do mundo — como expressão de uma poética cristã alegórica, nos moldes da tradição da exegese bíblica e dos comentários neoplatónicos a Dante. O artigo mostra como, além de alegadas relações intertextuais entre Dante e Camões, Faria e Sousa inicia no seu comentário, sob o signo da hermenêutica alegórica, a tradição de leitura comparada dos dois autores.
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