RECRIANDO UM MONSTRO
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Luiz Felipe Salviano, Bernardo Demaria Ignácio Brum

RECRIANDO UM MONSTRO

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Introduction

Recriando um monstro. Frankenstein como construto social da monstruosidade. Análise comparativa de Branagh (filme) e Ito (mangá) explora como culturas negociam seus medos e limites humanos no horror gótico.

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Abstract

Este artigo analisa como a Criatura de Frankenstein funciona como um construto social da monstruosidade, espelhando os medos de cada época. Exploramos a hipótese por meio da análise comparativa de duas adaptações dos anos 1990: o filme Frankenstein de Mary Shelley (1994), de Kenneth Branagh, e o mangá Frankenstein (1994-1998), de Junji Ito. Discute-se a relevância do romance de Shelley para o horror e sua presença na cultura pop, para então refletirmos sobre a construção da figura monstruosa por meio da chave da "anormalidade", conforme Tucherman (2012), Cohen (2007) e Foucault (2001). A versão de Branagh é examinada por sua estética operística e leitura queer, refletindo ansiedades ocidentais. A de Ito é analisada a partir de conceitos da estética japonesa, como a valorização da sombra (Tanizaki, 2017) e a noção de Ma (Okano, 2013), que ressignificam o horror Gótico. As releituras preservam a essência subversiva e contra-hegemônica da obra original, contrapostas ao status quo Iluminista, revelando como diferentes culturas "montam" seus monstros para negociar os limites do humano, comprovando a adaptabilidade do gótico (Botting, 2024).


Review

Este artigo apresenta uma análise intrigante e pertinentemente construída sobre a Criatura de Frankenstein como um construto social da monstruosidade, espelhando medos de cada época. A proposta de examinar esta hipótese através da análise comparativa de duas adaptações dos anos 1990 – o filme *Frankenstein de Mary Shelley* (1994) de Kenneth Branagh e o mangá *Frankenstein* (1994-1998) de Junji Ito – é particularmente promissora, oferecendo uma ponte entre diferentes mídias e contextos culturais. A base teórica, que invoca autores como Tucherman, Cohen e Foucault para discutir a "anormalidade", promete uma estrutura robusta para a investigação dos mecanismos sociais de construção do monstro. O mérito do trabalho reside na sua abordagem bifocal, que permite uma rica exploração das nuances culturais na representação do horror. A análise da versão de Branagh, com sua estética operística e leitura queer, é bem-vinda para entender as ansiedades ocidentais. Contraponto a isso, a exploração do mangá de Ito através de conceitos da estética japonesa, como a valorização da sombra (Tanizaki) e a noção de Ma (Okano), oferece uma perspectiva fresca e essencial para a ressignificação do horror Gótico em um contexto não-ocidental. Ao demonstrar como ambas as releituras preservam a essência subversiva e contra-hegemônica da obra original, o artigo destaca a capacidade das diferentes culturas de "montar" seus monstros para negociar os limites do humano, validando a adaptabilidade do gótico conforme sugerido por Botting. Este estudo parece oferecer uma contribuição valiosa e original para os campos dos estudos Góticos, da teoria da adaptação e da análise cultural do horror. A profundidade da análise comparativa, aliada a um sólido arcabouço teórico, sugere que o artigo será capaz de iluminar as complexas intersecções entre medo, cultura e a construção da identidade. A escolha de exemplos contemporâneos, porém de épocas diferentes nas suas abordagens estéticas, tem o potencial de não apenas comprovar a perene relevância de Shelley, mas também de abrir novos caminhos para a compreensão de como o Gótico continua a ser um veículo poderoso para a crítica social e cultural em escalas globais.


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